Cartilha

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sejamos exóticos, porque a palavra deficiente não nos define!

As vezes fico pensando e não consigo achar uma explicação racional  do porque através dos tempos a deficiência não encontra seu lugar na sociedade e no mundo.
Conquistamos e perdemos as conquistas
Ja vi tantos moldes de educação serem implantados e nenhum permanecer ,mesmo sendo bom.
Vejo gente atuando por algum tempo na inclusão e depois abandonarem .
Como observadora vejo como é cíclica a história da deficiência, mudam-se as gerações mas a maneira de se buscar é a mesma, os processos continuam os mesmos.
Vejo mães fazendo e passando exatamente pelo que passei a 30 anos atras!
Estamos dessincronizadas emocionalmente e socialmente com os avanços de um mundo ,apesar de toda a tecnologia a nosso dispor
A deficiência continua na idade da pedra!!!
Quando digo isso estou falando em relação a comportamentos.
 Acho que é o inconsciente coletivo mesmo
Nessa minha caminhada pela inclusão percebo o medo que as pessoas e sociedade em geral tem da deficiência!
Eu também tinha medo!
Claro, esse medo é cultural
Imaginem uma mulher que queira ter um filho ou uma gestante lendo e se informando sobre possíveis problemas que possam ocorrer na gravidez ou no parto?
Fugimos de qualquer informação que possa nos amedrontar e colocar nosso mundo colorido em risco,
 As informações deveriam ser implantadas de modo natural, desde a nossa tenra infância, nas escolas, em ambientes sociais, conhecendo e convivendo com aquele amiguinho com condições diferentes dos da maioria.
Infelizmente o estigma da deficiência é arcaico e perdura até hoje.
Nós mães e  pessoas com deficiência devemos quebrar esse estigma.
A deficiência nada mais é do que ser diferente, ser exótico.
 Sim diante de um padrão de normalidade somos exóticos.
Ser diferente é bom!!!!
Aprendemos com as diferenças, nossa quantas coisas novas descobri diante de uma vivência exótica com meu filho Gabriel !!!!
É isso que devemos mostrar ao mundo, os benefícios do conhecimento, porque onde há conhecimento tem luz.
Porque ser deficiente nesse mundo é não ser nada?
Porque o mundo não é preparado para receber o diferente?
Eu falo porque, por medo!
Temos medo porque nos identificamos com aquela situação, porque temos um padrão de normalidade e perfeição incutido e o diferente nos deixa vulnerável perante a imagem que temos de nós .
O diferente nos ameaça!
O problema não é meu com a deficiência mas é meu comigo mesma!
Por isso que é tão difícil a noticia e constatação de uma deficiência, bate com a minha vaidade e meu ideal de perfeição. Mas o que é ser perfeito?
Fica ai uma pergunta .
No momento em que constatarmos que "apesar" da  deficiência  pode-se ser eficiente , realizado e feliz, daí sim podemos começar a sair desse processo cíclico que a sociedade impôs até hoje.
Precisamos mudar o olhar.
Sejamos exóticos e não deficientes porque essa palavra não nos define

2 comentários:

  1. Querida Sulamita.
    Concordo, somos exóticos! Tenho até um certo orgulho disso. Estranho né? Meu filho é bom de apertar, de dormir de conchinha, tem um riso fácil e honesto!
    Mas.... Estou presa. Queria sair, estudar de novo, trabalhar. Não posso! Ele depende de mim. E a sociedade não está preparada mesmo para nós! Somos absolutamente ignorados!!! Os pobres vão para instituições, e voam como passarinhos para o céu na época do inverno e suas doenças. Os ricos tem home care. E nós vamos levando a vida. Um dia depois do outro. Com medo de morrer. Tendo que entrar na justiça por uma isenção de IPVA que direito! Vou te falar.... Se a sociedade de fato incluísse os "exóticos" em toda a sua complexidade e necessidade. Teríamos uma vida melhor!
    beijos
    Natalie

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  2. Ahhh Natalie como nossos filhos são puros, acho que isso é encantador.
    Se alegram com as pequenas mas grande coisas!
    Não tenha medo da morte pois cá estamos num desafio de crescimento.
    Um dia você irá conseguir ir atras dos seus anseios e sonhos nunca desista deles, pois eles alimentam nossa alma.
    Se estamos bem e felizes nossos filhos também estarão.
    Um forte abraço para vocês

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